Conhecido por suas criações futurísticas e suas atitudes audaciosas
no mundo da moda
Nascido na Itália, em 1922, Cardin não demorou para se interessar
pela moda. Filho de agricultores emigrados para a região do Haute-Loire,
em 1926, ele nunca mostrou vontade ou aptidão para trabalhar com a
terra. Mas, aos 14 anos, já demonstrava entusiasmo pelo mundo das
aparências e conseguiu um emprego como aprendiz de alfaiate na melhor
oficina de Saint-Étienne. Ficou por lá aperfeiçoando o seu talento até
1945, quando se mudou para Paris e conseguiu um emprego, primeiro com
Jeanne Paquin e depois com Elsa Schiaparelli.
Como em toda história de sucesso, Cardin contou com o componente da sorte. Ainda na década de 1940, conheceu o designer e ilustrador francês Christian Bérard, a quem Jean Cocteau tinha confiado os figurinos do filme A Bela e a Fera. Paris fervia e Cardin estava no centro de tudo.
“Comecei na maison Dior, em 1946. Fui o primeiro empregado de
Christian Dior. Chegava no ateliê às 8 da manhã e saia às 9 da noite."
"... fundei meu próprio negócio, trabalhei sem financiador,
mantive minha marca sozinho. Isso sempre me trouxe muita liberdade, mas
também grandes responsabilidades.”
Fundou sua marca própria em 1950 Pierre Cardin é um dos grandes nomes da moda. Suas criações são facilmente reconhecidas pelo jeitão futurista, com formas geométricas remodelando o corpo feminino.
Apaixonado pelo mundo das artes,
Pierre desenhou máscaras e figurinos pra teatro.
Em 1954 criou o
vestido bolha, que virou sucesso mundial.
Foi também o ano de abertura
de sua 1ª loja, a “Eve”, logo seguida pela “Adam”, revolucionou o conceito de moda masculina, que o consagraria por seus ternos, elevados à categoria de
alta-costura.
Gerou polêmica em 1959 ao criar uma coleção de prêt-à-porter feminino para a Printemps e virou persona non grata da alta-costura, expulso da “Chambre Syndicale de la Couture Parisienne” por ter se popularizado – onde foi readmitido tempos depois.
A fama e a intensa relação com as artes possibilitaram
conhecer líderes políticos e astros de todas as épocas. Em 1963, vestiu
Paul, John, George e Ringo. Então bons moços, os Beatles cantavam "All
My Loving", mas já queriam uma alfaitaria diferenciada.
Suas roupas eram a cara dos anos 60, e em 1964 a coleção “Cosmos” trouxe a idéia de moda unissex com
túnicas que podiam ser usadas por homens e mulheres.
O
legado do "costureiro" começa a ser consolidado nos anos 60. Na época o
mundo era bipolar, EUA (capitalista) x União Soviética (socialista). A
disputa entre as duas potências tinha como uma das principais vitrines a
corrida espacial. A atitude de Cardin na moda é um grande reflexo desse
momento.
"Tinha
muito interesse pelo socialismo. A idéia da igualdade me atraia, mas
sempre soube que não era possível".
A maneira que encontrou se aproximar
um pouco dos vermelhinhos, foi investir no prêt-à-porter, e desdenhar a
alta-costura. Seu argumento:
"pouca gente tinha dinheiro para comprar
alta-costura".
Sua importância para o segmento da moda foi tamanha, que em 1991, ele se tornou o primeiro estilista francês homenageado em vida pelo museu de costumes Victoria & Albert de Londres com a retrospectiva “Pierre Cardin: Past, Present and Future”.
Em 1993, mais uma vez gerou polêmica, quando seus perfumes passaram a ser vendidos na rede de supermercados Carrefour a preços 30% menores que os das lojas especializadas. A partir de 1994, como muitos designers de moda da atualidade, Cardin decidiu mostrar suas coleções de alta-costura apenas para um pequeno círculo de clientes e jornalistas selecionados.
Em 2009, o estilista voltou a desfilar suas coleções na semana de moda de Paris, após anos de ausência. Entre as criações que se tornaram marca registrada da PIERRE CARDIN estão as jaquetas sem colarinho e sem lapela, a versão feminina do terno, a gola-capuz, as coleções de primavera, o corte enviesado, as formas geométricas, as malhas modeladoras e os bodysuits (macacão justo com mangas compridas, fechado com zíper ou botões do umbigo até o pescoço).
Em 2009, Lady Gaga usou uma criação sua no clipe "Love Game".
Em setembro de 2010, Cardin desfilou a coleção primavera-verão 2011 na semana de moda de Paris depois de 10 anos de ausência. Hoje a grife tem três lojas: Paris, Tóquio e Taiwan.
Ao redor do mundo
Artes
Além de inúmeras propriedades, como o palácio de Casanova em Veneza, o castelo do Marquês de Sade e a cadeia de restaurantes e hotéis Maxim’s. Esses são os lugares que recebem festivais e peças de teatro patrocinados por ele – parece ser essa a forma que estilista encontrou de aproveitar o fim de sua vida.
Importância do prêt-à-porter
“Já viajei o mundo inteiro. Em 1963, fui um dos primeiros a ir
para a Rússia. Gosto de conhecer novas culturas, origens, políticas.
Viagem é formação cultural. Já estive mais de 100 vezes na América e
mais de 15 no Brasil. Visitei o Chile 27 vezes, a Rússia 30 vezes e o
Japão 50 vezes.”
Os
passaportes de Cardin devem acumular muitas folhas extras, porque ele
conheceu os cinco continentes. Em suas duas palestras ele ressaltou seu
interesse em conhecer pessoas, e o contexto socioeconômico de cada país.
Essa experiência o fez apostar em mercados, hoje emergentes, e na época
de terceiro mundo, como China e Brasil.
Artes
“O que mais gosto de fazer é criar figurinos de teatro e
cinema, acho que isso aproxima as pessoas. Comprei um teatro na Place de
La Concorde, em Paris, e sou diretor dele há 45 anos. Depois desse
teatro francês, comprei mais quatro, e produzi espetáculos em Nova York,
na Itália, no Brasil, no México… Minha última produção foi Casanova.”
Ele se tornou dono de teatros, diretor e produtor de
espetáculos, figurinista e, sim, ator. Ele veio ao Brasil nos anos 70
atuar em "Joanna Francesa", ao lado da amiga Jeanne Moreau, dirigido
por Cacá Diegues (e trilha do Chico Buarque).
Além de inúmeras propriedades, como o palácio de Casanova em Veneza, o castelo do Marquês de Sade e a cadeia de restaurantes e hotéis Maxim’s. Esses são os lugares que recebem festivais e peças de teatro patrocinados por ele – parece ser essa a forma que estilista encontrou de aproveitar o fim de sua vida.
“A alta-costura sempre me deu prejuízo, e foi o prêt-à-porter
que permitiu que ela continuasse viva, é através dele que minha marca
sobrevive e posso continuar criando. Acabei saindo da Câmara Sindical de
Alta-Costura, pois eles achavam que o prêt-à-porter não respeitava as
roupas feitas sob medida. Eu era jovem, mas segui minha ambição e não
queria perder essa oportunidade. Os custos das roupas de alta-costura
são caros e sempre fui um pouco socialista, queria que minhas peças
atingissem todos.”
Os perfumes
Os perfumes sempre foram um importante produto dentro da Maison Cardin. O
primeiro deles foi o
masculino Pierre Cardin Pour Monsieur, lançado em
1972. Outros perfumes de grande sucesso introduzidos pela marca foram:
Choc de Cardin (1981), Paradoxe (1983), Bleu Marine (1986), Rose de
Cardin (1990), Centaure (1991), Enigma (1993), Insatiable (1995),
Tristan & Yseult (2000), Revelation (2004), Emotion (2005), Pierre
Cardin Pour Homme (2007), Black (2007) e Cuir Intense (2009). Atualmente
a licença para desenvolvimento e criação dos perfumes da PIERRE CARDIN
está sob os cuidados da tradicional Coty.
Licenciamentos
“Fiz uma grife, mas queria ter uma marca que durasse. Aliei meu
nome a diferentes produtos, como chocolate, hotel, água, sardinha…
Passei por uma guerra, comecei a trabalhar na Cruz Vermelha como
administrador aos 17 anos. Sei o que são condições sociais terríveis, e
sei que, em algumas ocasiões, uma sardinha é mais necessária e pode ter
um valor maior do que um perfume. Os licenciamentos são muito
importantes para a minha carreira. Eu não estaria aqui sem eles.”
Você conhece Pietro
Cardin muito mais do que imagina. É que Pierre – o nome que ele adotou
quando mudou da Itália pra França – emprestou seu nome diversos produtos licenciados durante sua carreira, que já completou 60 anos em 2010. As chances de você já ter comprado alguns deles, desde uma gravata até mesas, cortinas, comida e cigarros, é enorme.
Descobriu nos licenciamentos uma forma
de popularizar sua grife. Assim ele lançou a ideia hoje lapidada pelas redes de
Fast-Fashion.
Atualmente existem aproximadamente 840
produtos licenciados com a marca PIERRE CARDIN, que são comercializados
em 140 países ao redor do mundo. A grife PIERRE CARDIN é tão forte que
gera 200 mil empregos indiretos no mundo todo, 3 mil deles só no Brasil,
onde a marca está presente desde 1968.
A identidade visual da marca PIERRE CARDIN, passou por uma acentuada modificação em sua história. Outrora reconhecida pela assinatura do famoso estilista, hoje em dia o logotipo da marca possui letras sóbrias e um “P” estilizado como símbolo.
Multitalentos
“Sou o único estilista a integrar a Academia de Belas Artes
Francesa. Já criei roupas, acessórios, fui embaixador da UNESCO e tenho
três revistas, sou jornalista também. Tive uma vida extraordinária, e
não tenho pretensão de me vender, só quero dizer quem eu sou. Tive a
possibilidade de fazer muitas coisas, sou dono de empresas, trabalho com
teatro, restaurantes… Consegui chegar aonde queria.”
Tornou um bem sucedido homem de negócios, comprando em 1981, o tradicional restaurante Maxim’s, inaugurando outras unidades em Nova York, Londres e Beijing. Por ser um ícone da indústria da moda francesa e por ser um homem de negócios internacional, Pierre Cardin foi designado em 1991 como Embaixador da Boa-Vontade da Unesco. No ano seguinte, se tornou o primeiro costureiro a integrar a Academia de Belas Artes da França. Nunca a combinação estilista de moda com homem de negócios foi tão bem-sucedida quanto no caso de Pierre Cardin.
Criativo, polêmico e introdutor de novos conceitos na alta-costura, como a modernidade e a praticidade, o estilista, que é recebido no exterior como um verdadeiro chefe de Estado e dorme numa célula monástica com vista para o Palácio do Elysée, tem sido, ao longo de 60 anos de carreira, um dos grandes revolucionários em seu segmento. Afinal, qual estilista pode se dar ao luxo de fazer com que mais de vinte milhões de pessoas já tenham usado qualquer um dos 800 itens que levam a sua própria marca, desde os famosos Beatles, passando por Rolling Stones, Lady Gaga até pessoas comuns? Pierre Cardin nunca pegou emprestado em banco sequer um tostão para financiar seus negócios. Além disso, não faz publicidade (salvo para os perfumes da marca) e reinveste seus lucros em pedras preciosas. Hoje em dia, com 90 anos, além de dirigir a Maison Cardin, é dono de hotéis, restaurantes (10 unidades do badalado Maxim’s) e espaços culturais.
Elegância
Futuro
“Sou 100% proprietário da minha marca, sempre fui meu próprio banqueiro. Não quero que minha marca morra junto comigo, pretendo passá-la para frente antes que isso aconteça.”
É enfático em dizer: "dediquei minha vida ao trabalho".
Excessos mundanos como álcool e drogas não fazem parte de seu
vocabulário. Ele é o único dono de um império com o seu nome, e vive a
difícil situação de não contar com alguém para continuar seu trabalho. Sua
empresa está à venda.
Costureiro, designer, artista, empresário de sucesso, diplomata e proprietário do famoso restaurante Maxim’s, Pierre Cardin é uma das cinco mais conhecidas personalidades francesas no mundo desde os anos 60.
O designer ainda se auto intitula "costureiro" e se considera o mais velho estilista parisiense na ativa.
Fonte:Site Moda Spot ,blog Flamboyan,blog Fashion Uber,blog Golagelato
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